Vereadores de Manaus rejeitam avaliar pedido de cassação de Rosinaldo Bual

Política

A Câmara Municipal de Manaus (CMM) rejeitou, nesta terça-feira (4), um requerimento que buscava forçar o andamento do pedido de cassação do vereador Rosinaldo Bual (AGIR), preso há mais de um mês na Operação Face Oculta. A decisão, que impede o avanço da investigação interna, foi tomada pela maioria dos parlamentares.

O pedido de cassação foi protocolado em 6 de outubro pelo Comitê Amazonas de Combate à Corrupção (CACC), três dias após a prisão de Bual, suspeito de envolvimento em um esquema de “rachadinha”. Mesmo com o vereador afastado e detido, a CMM ainda não havia dado início ao processo de quebra de decoro.


Resultado da Votação e Alinhamento Político

O requerimento foi apresentado pelo vereador Rodrigo Guedes (PP) para obrigar a CMM a realizar o juízo de admissibilidade da denúncia, conforme previsto no Regimento Interno da Casa.

A votação resultou em:

  • 21 votos contra o andamento do processo.
  • 11 votos a favor da investigação.
  • 8 ausências.

A rejeição foi garantida pela base aliada do prefeito David Almeida (Avante) na Casa, que formou a maioria para barrar a solicitação.

Destaques da Votação:

GrupoVereadores (Exemplos)Votos
Votaram CONTRAEurico Tavares (PSD), Roberto Sabino (Republicanos), João Paulo Janjão (AGIR), Raulzinho (MDB), Eduardo Alfaia (Avante), Gilmar Nascimento (Avante), Thaysa Lippy (PRD), Professor Samuel (PSD), Marcelo Serafim (PSB).21
Votaram A FAVORRodrigo Guedes (PP – Autor), Rodrigo Sá (PP), Saimon Bessa (UB), Coronel Rosses (PL), Carpê Andrade (PL), Sargento Salazar (PL), José Ricardo (PT).11

“O Caso Acabando em Pizza”

O autor do requerimento, Rodrigo Guedes, argumentou que a Casa está em desacordo com o Regimento Interno, o qual exige a votação do juízo de admissibilidade da denúncia na primeira sessão subsequente ao recebimento do pedido de cassação.

O vereador criticou publicamente a inércia da CMM em relação ao caso. Na véspera da votação (3), Guedes protestou no plenário com uma pizza nas mãos, afirmando que a Câmara estaria “empurrando com a barriga, praticando prevaricação e deixando o caso acabar em pizza” no dia em que a prisão de Bual completava um mês.

O Caso Rosinaldo Bual

Rosinaldo Bual foi detido em 3 de outubro na Operação Face Oculta, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Amazonas (MPAM). Ele é investigado por desvio de verba pública através da prática de “rachadinha”, que consiste na apropriação de parte dos salários de seus assessores.

Durante a operação, foram apreendidos na residência do vereador R$ 390 mil em espécie e R$ 500 mil em cheques. A Justiça Estadual determinou o afastamento de Bual do mandato por 120 dias, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um habeas corpus, mantendo sua prisão preventiva.

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